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Reforma Ortográfica

25/2/2009

Nunca será tarde para melhor entendê-la

Desde o dia 1º de janeiro deste ano, entrou em vigor o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Mas, mesmo que muita gente já saiba disso, não existe ninguém que não esteja pelo menos um pouco confuso sobre as mudanças que acontecerão em nossa escrita. Por isso, o Secraso-RS considerou de extrema importância dedicar as páginas centrais de seu informativo para abordar esse assunto, tentando abranger da maior forma possível as modificações, explicá-las e exemplificá-las ao leitor.
Para esclarecer um pouco aqueles que estão perdidos em meio a tanta novidade, essa não foi a primeira vez em que isso aconteceu e, certamente, não será a última. O Brasil já passou por diversas reformas ortográficas ao longo dos anos. Em 1931, a Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciências de Lisboa protagonizaram o estabelecimento de uma grafia comum a ambos os países, realizando um primeiro acordo. Como após o lançamento dos vocabulários de Portugal e Brasil continuavam a existir algumas divergências, realizou-se um novo encontro que deu origem ao Acordo Ortográfico de 1945. Tivemos até mesmo uma reforma que jamais vigeu, o Acordo de 1975, nunca transformado em lei e nem tornado público. E é o dinamismo de nossa língua que explica essas modificações periódicas.
Mas voltamos ao mais novo tratado ortográfico, recentemente assinado por oito nações que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Para julgar sua importância, faz-se necessário dizer que a língua portuguesa é, no momento, a 5ª mais usada no mundo, sendo falada hoje por mais de 240 milhões de pessoas. O Brasil, por sua vez, é o país com o maior contingente, com 190 milhões de habitantes. Analisando os dados dessa forma dá para perceber o impacto de uma mudança deste gênero na vida de tantas pessoas. E é isso que vamos demonstrar agora na prática.

Alfabeto:

O alfabeto passa a ter 26 letras. Antes suprimidas, as letras k, w e y tornam a valer para as grafias estrangeiras.

Acentuação:

1. Trema:

O acento foi totalmente eliminado. Assim, palavras como agüentar, cinqüenta, pingüim e lingüiça passam a ser, respectivamente, aguentar, cinquenta, pinguim e linguiça. Mas atenção, o trema permanece em palavras estrangeiras, como o sobrenome Müller.

2 . Eliminação nos ditongos:

Acabam os acentos nos ditongos abertos “éi” e “oi” em palavras paroxítonas. Assim, idéia, européia e heróico serão, respectivamente, ideia, europeia e heroico. Também caem os acentos em “i” e “u”, quando aparecem em paroxítonas e após ditongos. Dessa forma, feiúra fica feiura.

3 . Letras repetidas perdem acento circunflexo:
O acento circunflexo em palavras terminadas em “êe” e “ôo(s)” desaparece. Assim, vôo, vêem e enjôos serão, respectivamente, voo, veem, enjoos.

4. Cai o acento diferencial:

O acento que se usava para diferenciar palavras idênticas some. Assim, pára do verbo parar vai ser apenas para. O acento só permanece nos seguintes casos:
a) pode (como presente do indicativo) e pôde (no pretérito);
b) por (preposição) e pôr (verbo);
c) nas diferenciações de plural como em ter, vir e seus derivados. Ex.: tem/têm, vem/vêm, mantém/mantêm, convém/convêm, detém/detêm, intervém/intervêm;
d) as palavras forma/fôrma permitem acento facultativo.

5. Some o acento agudo no u:

O “u” que soa forte nas sílabas “gue”, “gui”, “que” e “qui” não será mais acentuado. Assim, argúi vira argui.

Hífen:

1. O sinal não poderá ser mais usado quando a primeira palavra terminar com vogal e a segunda começar com consoante. Assim, anti-rugas, auto-retrato e ultra-som se tornam antirrugas, autorretrato e ultrassom.

2. O hífen também não deve ser grafado quando a primeira palavra terminar com letra diferente da que começar a segunda. Como por exemplo em
auto-estrada e infra-estrutura, que viram autoestrada e infraestrutura.

3. O sinal deverá ser usado quando a palavra seguinte começar com b, h, r, m, n. Dessa forma, super-homem, inter-regional e sub-base mantém suas formas originais.

4. Outro caso que se faz necessário o uso do hífen é quando a primeira palavra terminar com a mesma vogal ou consoante da segunda. Assim, microônibus, contraataque e microondas agora serão escritos como micro-ônibus, contra-ataque e micro-ondas.

5. As palavras que têm os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró mantém com o hífen. Portanto, será escrito como antes: ex-presidente, sem-terra, recém-nascido e pós-graduação.

6. Palavras com os sufixos de origem tupi-guarani como açu, guaçu
e mirim também permanecem inalteradas. Quem escrevia jacaré-açu vai continuar escrevendo jacaré-açu.


Viu como não era tão complicado quanto parecia? No final das contas, por mais difícil que seja aceitar mudanças, logo logo todos nós nos acostumaremos. Mesmo assim, não precisamos ter tanta pressa em aprender tudo. Dizemos isso porque, conforme o acordo assinado no dia 29 de setembro de 2008 pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, o qual tornou oficial a introdução da nova reforma ortográfica no Brasil a partir de 1º de janeiro de 2009, a antiga grafia ainda valerá junto da nova até dezembro de 2012. Dessa forma, ela pode continuar a ser utilizada em vestibulares, concursos públicos e provas escolares.
Mas, enquanto isso, tente ir se acostumando com as novas regras. E, sempre que quiser, volte nestas páginas e dê uma conferida.


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